Realmente, fazendo jus ao nome de batismo, a história do Banzé! (agito, baderna, confusão) é pra lá de agitada, cheia de reviravoltas e mudanças inesperadas. Pra começar, pra uma banda que em seu primeiro CD (*Alvo Móvel*, 2004, na verdade, um EP) cantava "preferir a solidão"e se "esconder num sumidouro" , o destino não poderia ter sido mais diverso. E divertido.

 Seu debut pela MONDO 77, De Pernas pro Ar, também faz jus ao nome. Só pra começar, a banda, que começou como o trio Thadeu, Willy e Falcão figura nesse disco como um quarteto. Ta achando normal? Só que o batera do disco já não é o Falcão. Até aí tudo bem. O Falcão partiu direto pela *Canadian Airlines*, procurando uma nova vida em paragens mais promissoras. Mas,calma... o batera do disco também não é o Conrado, embora ele apareça nas fotos e encarte como membro da banda. O baterista é o Effori, também conhecido como Loco Sosa, que passaria a integrar oficialmente a banda no disco seguinte. Além disso, o Douglas, segundo guitarra, também não toca as guitarras do disco.

Aliás, só pra manter a aura do inusitado que circunda a banda, logo após a estréia do De Pernas, ele pediu pra sair da banda, não pelos razões tradicionais que motivam essas decisões, mas pra poder participar de um reality show. Caramba!  Isso quer dizer que, de uma hora pra outra, a banda voltou a ser um trio e foi nessa conformação que registrou seu segundo clipe, Doce Ilusão.

Ilusão nada. Agora, foi doce, sim, o gostinho da vitória ao ser eleito como melhor clipe independente do VMB 2006. Isso sim é que é reality show. E o Paulinho Caruso, diretor do clipe, foi indicado na categoria Melhor Direção pelo Doce Ilusão.

Mas melhor direção mesmo é a que a banda ia seguir a partir dali.

Olha só. As críticas e resenhas do Banzé até esse ponto sempre citavam como referência sonora da banda as bandas inglesas às quais coube o rótulo de
Mods: Paul Weller (The Jam), The Who....Claro que muita coisa no De Pernas
Por Ar tem um quê mesmo da guitarra clean e angular do Paul Weller, mesmo, além da participação - na música Eu Sou Melhor Que Você - do Nasi, ex-Ira!, maior representante dessa atitude Mod aqui nessas paragens brazucas.

Mas, pelo andar da carruagem sonora e comportamental, o que o Banzé! parece ter herdado mesmo dos *Mods* é a propensão pra compra de uma boa briga.

Opa, espera aí. Briga, banzé? Será que os caras são mais uma daquelas bandas de arruaceiros, hasteando o velho panteão do Sexo, Drogas e Rock and Roll?

Ledo engano. Claro que aqui na terra da Boca do Lixo não há santo nenhum, mas quando a gente fala de briga, no caso, está querendo falar de provocação e, sendo ainda mais específico, o Banzé! se especializou num tipo de provocação meio em desuso no Brasil: a provocação intelectual.

Mas voltando aos novos caminhos: já sem o Conrado e com o Effori definitivamente incorporado à horda, o Banzé se uniu, ideologicamente, a alguns vários contestadores de plantão, de vários estilos e personalidades diferentes: os mais óbvios estão logo na cara – Wayne Kramer , do visceral MC5, Lester Bangs, o mordaz crítico musical americano. Outros estão embutidos nas milhares de entrelinhas das novas canções,: Chico Buarque e
Sérgio Buarque de Hollanda (Cobra de Vidro), Robert Musil, Kurt Cobain (Um Homem sem Qualidades), Daniel Pennac (Fada Carabina), Fernando Pessoa, Sam Peckinpah (Tragam-me a Cabeça de Lester Bangs).

O que pouca gente sabe é que essa fusão de estilos, ou quem sabe, confusão de estilos tem sua semente insuspeita plantada lá no primeiro CD. É que é lá que começa a parceria, dita inusitada por muitos, Meneghini/Rabelo, sendo o tal Rabelo o Adalberto, compositor/letrista da banda Numismata. Pois é justamente por causa do compartilhamento de várias idéias e visões sobre música e o meio musical é que os dois começaram sua amizade e decidiram desenvolve-la no terreno dos acordes e melodias.

E a coisa não pára por aí. No meio do rolo, ainda coube espaço pra abrigar o o Mauro Motoki, do Ludov e o Tatá Aeroplano, do Cérebro Eletrônico/Jumbo Elektro.

Aliás, o Tatá é parceiro na música que gerou o primeiro clipe do Antes da Queda (esse é o nome do 2º CD): Boca do Lixo. O clipe já freqüentou o primeiro lugar entre os vídeos mais vistos do MTV OVERDRIVE  e foi expulso do YOU TUBE mais de uma vez, imagine você, só porque tinha algumas imagens peculiares e um tanto picantes, mas nem um pouco gratuitas, uma vez que foram inspiradas na obra do Hiroito de Moraes Joanides, também conhecido como um dos maiores, digamos assim, gangstêres paulistanos, rei da Boca do Lixo. Tá bom, vai, a melancia pode ter sido mesmo uma espécie de "liberdade poética".

Ufa!

Até cansou. Ih, tem mais....como assim?

Ah, é verdade!

O Banzé estreou, com sucesso, o novo clipe, Cobra de Vidro, dirigido pelo Kapel Furman, que é o cara que faz os efeitos especiais do novo filme do Zé do Caixão. Aliás, é um dos clipes mais vistos do site, tendo  dia até que chegou a ficar em 1º lugar, o que acabou lhe valendo até mesmo a indicação pra que o Banzé concorra a ser banda de abertura da nova empreitada My Space tour. Mas, banda de abertura de quem?  Da fofinha Mallu Magalhães! Inusitado ou não?

Olha, bem ou mal, goste ou não, uma coisa já é certa quando se fala em
Banzé: sempre espere o inesperado!



            Mal posso esperar!


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Adalberto Rabelo Filho

 

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